Por Carolina Antunes de Siqueira Santana.
Identificação: EMC, sexo feminino, 46 anos, técnica de enfermagem, casada há oito anos.
QP: Dispepsia após o almoço.
HMA: EMC vem apresentando há cerca de cinco meses desconforto epigástrico pós-prandial, disfagia e dor retroesternal, especialmente após o almoço. A ingestão de água após as refeições provoca dor temporária. Relata ainda regurgitação, halitose e - pela manhã - tosse seca e disfonia. Ela utiliza antiácidos três vezes por semana. Tem sobrepeso, mas não é tabagista ou hipertensa e nem tem diabetes ou dislipidemia. Tem alimentação saudável (bastantes frutas, verduras e legumes) e ingere bebidas alcoólicas somente nos finais de semana (uma taça de vinho). Nega melena, hematêmese e vômitos. Relata ter hábitos intestinais regulares e fezes com características normais. Utiliza lansoprazol 40 mg em jejum e bromoprida meia hora antes das duas refeições principais, conforme a prescrição do seu clínico.
HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: Dispepsia a esclarecer: doença do refluxo gastroesofágico?
CONDUTA: Foram feitas as seguintes orientações: alimentar-se de três em três horas com pequenas porções evitando refeições volumosas; esperar 40 minutos para deitar-se após as refeições; não usar roupas apertadas; emagrecer ou pelo menos manter o peso; dormir com a cabeça mais elevada, seja com maior número de travesseiros, seja colocando um tijolo no pé da cabeceira da cama para elevar a inclinação. Foi mantida a medicação e solicitamos uma endoscopia digestiva alta (EDA).
Para comentar:
1) Que dados da anamnese poderiam ter sido coletados para caracterizar melhor a QP e afastar outras doenças?
2) Porque a aluna misturou queixas do aparelho respiratório com a descrição da QP (aparelho digestivo) na HMA?
3) Porque a aluna misturou a investigação de fatores de risco para doenças do aparelho cardiovascular com a descrição da QP (aparelho digestivo) na HMA?
4) Que outros sintomas - por terem o mesmo mecanismo fisiopatológico – deveriam ser investigados quando a paciente relatou disfonia e tosse seca?
5) Que dados do exame físico poderiam afastar ou aumentar a probabilidade da nossa HD?
6) Porque a EDA é imprescindível, e não poderíamos manter o tratamento clínico sem o exame, mesmo com melhora do quadro?
7) Se a HD for confirmada, que outros achados da EDA nos levariam a manter o inibidor da bomba de prótons por muitos meses? E a erradicar o H. pilory?
8) Que benefícios REAIS a paciente pode ter com o uso do lanzoprazol e bromoprida?
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
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